Quando as temperaturas sobem, muita gente pega, por impulso, em sabrinas, ténis ou sandálias feitos com materiais baratos. Uma podologista está agora a lançar o alerta: há um material presente em inúmeros modelos que favorece infeções fúngicas, bolhas e mau cheiro. Para manter os pés saudáveis ao longo da primavera, vale mesmo a pena olhar com outros olhos para a composição indicada no calçado.
Porque é que a fibra sintética se torna um problema na primavera
O ponto crítico de muitos sapatos económicos é simples: são, em grande parte, feitos de materiais sintéticos - ou seja, plástico em várias formas. À primeira vista, estes materiais até podem parecer elegantes, aceitam bem tintas e, sobretudo, têm uma vantagem óbvia: são muito baratos. Para os pés, porém, trazem um inconveniente importante.
"Sapatos em fibra sintética quase não deixam a pele respirar - a humidade fica presa, o calor acumula-se e a fricção aumenta."
Os nossos pés têm milhares de glândulas sudoríparas. Mesmo com temperaturas amenas, elas trabalham - e ainda mais quando o interior do sapato aquece. Num material pouco respirável, essa humidade não consegue evaporar. Resultado: o pé permanece húmido durante muito tempo e a pele amolece.
Infeções fúngicas e bactérias encontram condições ideais
Pele húmida e amolecida cria um ambiente perfeito para microrganismos. Fungos e bactérias multiplicam-se com muito mais rapidez quando o ar não circula e a humidade fica retida no interior do calçado. A podologista avisa: é precisamente assim que surgem, com frequência, infeções fúngicas - sobretudo entre os dedos e na planta do pé.
- Micose interdigital: comichão, vermelhidão e descamação entre os dedos
- Micose da planta: pele seca, gretada ou com escamas na sola
- Odor intenso: as bactérias decompõem o suor e as partículas de cheiro ficam entranhadas no sapato
Quem usa todos os dias o mesmo par de sapatos sintéticos agrava o problema. A humidade quase não sai durante a noite e, no dia seguinte, o calçado continua "morno e húmido". Assim, forma-se um terreno fértil constante para agentes infecciosos.
Mais bolhas devido a um material rígido
Há ainda outro aspeto: a fibra sintética cede pouco. Ao contrário do couro genuíno, este tipo de material adapta-se muito pouco ao formato do pé. Por isso, é comum haver zonas duras e rígidas no calcanhar, no peito do pé ou na zona dos dedos.
Na primavera, soma-se um fator extra: com o calor, os pés tendem a inchar ligeiramente. Num sapato rígido e sintético, o pé fica sem margem de ajuste e acaba por roçar repetidamente nos mesmos pontos de pressão.
"Parte superior rígida mais pés inchados dá uma máquina perfeita de fazer bolhas - sobretudo no calcanhar e nos dedos."
Essa fricção sobrecarrega localmente as camadas da pele. Juntando a humidade do suor, uma bolha forma-se muito rapidamente. E quem "aguenta" apesar da dor arrisca feridas abertas, por onde microrganismos podem entrar no organismo.
Materiais que a podologista recomenda para a primavera
A boa notícia é que existem vários materiais que protegem muito melhor os pés - e sem comprometer o estilo. Muitos deles são, aliás, usados há muito tempo no fabrico de calçado de maior qualidade.
Couro genuíno como padrão de referência
Para sapatos fechados, como sabrinas, sapatos rasos ou mocassins, o couro genuíno é frequentemente a melhor escolha. A razão é simples: o couro tem poros naturais que permitem a circulação do ar. Assim, o microclima do pé mantém-se mais equilibrado e o suor consegue dissipar-se com maior facilidade.
- o couro vai-se moldando ao formato do pé com o tempo
- há menos pontos de pressão, porque o material tende a amaciar
- menor probabilidade de maus odores quando há cuidados de manutenção adequados
Importa também espreitar o interior: um sapato pode ter couro por fora, mas ser forrado por dentro com fibra sintética. Para a saúde do pé, o material interno é especialmente relevante, porque é o que está em contacto direto com a pele.
Camurça, nobuck e outros tipos de couro
Na primavera, couros escovados também são uma excelente opção - por exemplo, camurça e nobuck. Ambos costumam ser mais macios do que o couro liso e, muitas vezes, um pouco mais flexíveis.
"Camurça e nobuck combinam um clima agradável para o pé com um aspeto moderno e mate - ideal para o tempo de transição."
Estes couros conseguem absorver parte da humidade sem a reterem como uma esponja. Isso faz com que o pé se sinta menos "abafado". Em sapatos que se usam durante várias horas seguidas, como sapatos rasos ou ténis, esta diferença é particularmente vantajosa.
Têxteis de fibras naturais
Ténis leves, alpargatas ou sapatos tipo slip-on são, muitas vezes, feitos de tecido. Aqui, a podologista aconselha materiais como algodão ou linho. Estas fibras favorecem a troca de ar e continuam confortáveis mesmo quando está mais quente.
Têxteis sintéticos como poliéster ou "mesh" podem parecer arejados, mas em muitos casos também dão problemas se deixarem passar pouco ar. Por isso, vale a pena confirmar a composição antes de levar o par para a caixa.
Fibras naturais entrançadas para sandálias
Para calçado aberto, como sandálias ou chinelos, fazem sentido materiais entrançados de fibras naturais. As versões em fibras vegetais mantêm-se leves, parecem mais arejadas e deixam a humidade sair mais depressa.
O problema surge quando, apesar disso, a palmilha é feita de uma camada fechada de fibra sintética. As tiras podem ser "naturais", mas a zona sob o pé não é. Também aqui se aplica a regra: um olhar rápido para a etiqueta evita compras erradas.
Como reconhecer sapatos saudáveis de primavera ao comprar
Na hora de comprar calçado, muitas pessoas olham primeiro para a cor e para o design. A podologista recomenda dar à informação do material a mesma importância que se dá à aparência. Alguns passos simples ajudam na avaliação:
- Verificar os símbolos informativos na palmilha/etiqueta: indicam o material do exterior, do forro e da sola.
- Distinguir expressões como "Exterior: couro" de "Exterior: outros materiais".
- Passar os dedos pelo interior, no forro e na palmilha: a sensação é de plástico?
- Cheirar o sapato: um odor forte a plástico costuma indicar grande presença de materiais sintéticos.
- Em caso de dúvida, optar por um par com maior percentagem de materiais naturais.
| Material | Respirabilidade | Risco de bolhas | Adequação para a primavera |
|---|---|---|---|
| Couro genuíno | boa | baixo (com o tamanho correto) | muito boa |
| Camurça/Nobuck | muito boa | baixo | muito boa |
| Algodão/Linho | boa a muito boa | médio | boa |
| Fibra sintética (plástico) | fraca | alto | apenas limitada |
Como proteger ainda mais os seus pés na primavera
O material do sapato conta muito, mas os hábitos do dia a dia também pesam na saúde dos pés. Quem transpira bastante faz bem em trocar de meias diariamente e escolher modelos de algodão ou lã merino, em vez de opções feitas apenas de fibras sintéticas.
Depois de um dia longo com sapatos fechados, é útil dar descanso aos pés. Andar descalço por pouco tempo numa superfície limpa, deixá-los secar e, se necessário, usar um pó leve para os pés - tudo isto melhora o ambiente. Além disso, os sapatos devem arejar pelo menos um dia antes de voltarem a ser usados.
Se surgirem os primeiros sinais, como comichão entre os dedos, vermelhidão ou um cheiro invulgar, compensa agir cedo. Nessa altura, vale especialmente a pena rever o que se está a usar nos pés: será que os seus sapatos preferidos de primavera têm mais plástico do que parecia?
Quem já lidou várias vezes com bolhas, pontos de pressão ou infeções fúngicas beneficia de aconselhamento personalizado numa clínica de podologia ou numa loja ortopédica especializada. Aí é possível perceber que formato, que palmilha e que materiais funcionam melhor para o seu tipo de pé.
No fundo, a regra principal é simples: tal como escolhemos roupas de primavera/verão em tecidos respiráveis, os pés também precisam de materiais "arejados". E, na primavera - quando se troca rapidamente as meias grossas por sapatos mais leves - uma escolha errada pode tornar-se dolorosa, enquanto um bom par em materiais naturais pode durar e agradar durante muitas épocas.
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